John Stott

Expor as escrituras é esclarecer o texto inspirado com tal fidelidade e sensibilidade que a voz de Deus seja ouvida e Seu povo lhe obedeça.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Deus Encoraja Josué (Josué 1: 1-3)

O livro de Josué é uma sequência do Pentateuco. Depois da morte de seu líder (Moisés) em Moabe, Deus dá a missão para Josué. É interessante que Deus tem em sua reserva, instrumentos e forças que não conhecemos até que chegue o tempo oportuno. Quem podia imaginar uma pessoa tão capacitada como Moisés, ficando antes de Canaã e o Senhor levantando outro líder.


Por 3 vezes no capítulo 31 de Deuteronômio e por 3 vezes no livro de Josué, Deus dá palavras de ânimo ao novo líder repetindo a expressão: Sê forte e corajoso! Imagine que desafio para Josué!

Logo no verso 1, vemos desenhada a situação: Moisés é apresentado como Servo (‘ebed) de Deus e Josué é apresentado como Servo (sharat), um Ministro de Moisés, servidor voluntário. A palavra ‘ebed indica uma pessoa que está totalmente sujeita a seu amo. Um servo que está obrigado a servir. Este era o grande desafio de Josué. Mudar seu relacionamento com Deus.

Deus insiste em dizer que: “eu já vos dei todo lugar que pisardes com a sola do pé.” (Almeida do Século 21). Ou seja, somente o lugar em que pisar com o pé. Aprendemos com esta afirmação o seguinte:

a. Se ele deixasse uma parte do território descoberta, esta parte não seria dominada. Não podia ficar parado. Tinha que seguir, não podia ficar parado. A palavra para pé no verso 3 é Regel designa domínio sobre outras pessoas. O domínio de Josué estava delimitado a sua disposição em seguir, em lutar.

b. Existem áreas de nossa vida que necessitam serem possuídas. A conquista de Deus deve ser completa em nossa vida. Se abrirmos exceções, estas áreas serão ocupadas pelos “inimigos” ou por nosso inimigo.

Devemos confiar na promessa, ela é verdadeira. O Senhor já nos deu. Para alcançarmos a terra da promessa, temos que colocar a planta de nosso pé (não ficar parados), e confiar na vitória do Senhor.


quinta-feira, 24 de março de 2011

COMO?


O livro de Lamentações contém 5 capítulos e é distinguido por sua estrutura que obedece os mais rigorosos critérios da poesia hebraica. Os capítulos 1, 2 e 4 iniciam com a palavra típica para um lamento ‘êkâ (como). Esta palavra era utilizada em Israel quando se chorava pela morte de uma pessoa querida, daí a característica de lamentos e o próprio nome do livro.
Os capítulos 1, 2 e 4 começam com a idéia de lamento. O primeiro relata em termos gerais o problema. Já o segundo, entra em detalhes do processo. O capítulo 4 fala sobre as dificuldades do cerco babilônico a cidade de Jerusalem. Os três capítulos possuem 22 versos, sendo que, no texto original, os capítulos 1 e 2 possuem três linhas em cada verso, enquanto, o quarto só possui duas linhas. Já o capítulo 3, que não começa evocando uma lamentação como os outros capítulos, possui 66 versos. A soma dos versos dos versos dos capítulos 1, 2 e 4. Seria como um aprofundamento no tema. O capítulo 5, é na verdade uma oração. Não começa com a palavra ‘êkâ, possui também 22 versos, indica que os sofrimentos de Jerusalém, levaram o povo a buscar os braços de misericórdia divina, aguardando a resposta no tempo oportuno.
Porque um relato poético de acontecimentos já registrados em textos históricos? Os relatos de 2 reis 25 e Jeremias 52, nos dão os fatos relatados em um contexto históricos. Os cinco poemas de Lamentações utilizam-se da linguagem poética para relatar o fator emocional do tema.
O capítulo 3, que vamos analisar mais profundamente, coloca em contraste duas realidades: A Calamidade e a Esperança. Nos primeiros versos, o escritor se comunica com Deus na terceira pessoa do singular, é como se existisse uma separação. O escritor relata sua condição pessoal, as calamidades que afligiram o povo, também podem ser sentidas na vida do profeta. Ele sofre com o fato de, aparentemente, Deus ignorar a sua oração (v. 8).
A partir do verso 19 encontramos uma mudança na postura do profeta. Podemos destacar uma palavra que se repete nos versos 19, 20 e 21. O verbo “Lembrar” aparece nos três versos e é utilizando este verbo que vamos identificar a mudança na postura do profeta. Nos verso 19 ele pede para que Deus se lembre de sua “amargura”. No verso 20, ele diz que quando ele se lembra desta “amargura”, ele fica abatido. Agora a pergunta é: porque Deus pode lembrar e ele não?
Deus pode “lembrar da amargura” de Seu povo, porque Ele pode mudar a situação. O profeta não poderia se lembrar, já que, a idéia de se “lembrar” envolvia solucionar, e pouco faria tentando resolver. Deus não é afetado quando “se lembra” de nossas ansiedades. Ele tem uma visão diferente da nossa. Enquanto, nós vivemos entre um passado e um presente que passa de forma rápida, junto com um futuro que é para nós uma grande interrogação, Ele vive em um eterno presente que faz com que Ele tenha uma visão mais ampla de nossa vida. Um pensamento hebraico sobre o tempo faz uma alusão a um homem remando em uma canoa. Ele está olhando para trás, as ondas que a canoa deixa, fazem parte de sua visão da vida. Está de costas para o futuro.
Já no verso 21, encontramos o profeta mudando o foco de sua atenção. “mas quero lembrar do que pode me dar esperança”. A palavra esperança indica que um remédio pode ser usado, para que, em um curto período de tempo, o homem consiga se livrar do abatimento. Tenho que me lembrar do que pode me dar esperança, se me lembro das amarguras e ansiedades da vida, vou sempre me abater. Mais uma pergunta surge então: o que me pode dar esperança?
O verso 22 e 23 apresentam a idéia: A bondade do Senhor é a razão de não sermos consumidos, as suas misericórdias não tem fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A idéia da Hesed de Deus era bem difundida entre os judeus. Era como um estilo de vida que cada servo do Senhor deveria seguir. Ir além da sua obrigação. Fazer o máximo, além do esperado. Assim seria a explicação da palavra “bondade do Senhor” (hesed). Deus vai além do esperado. Ele surpreende.
Então a esperança que muda o coração do profeta, a esperança que cura as feridas do seu coração, tem como base o Senhor. Não é algo incerto. A palavra esperança hoje, tem uma conotação de algo que possivelmente poderá acontecer. Existe uma possibilidade. A esperança que tocou o coração do profeta vem de uma certeza: apesar da situação que chegamos, apesar do sofrimento que cai sobre nós, podemos confiar no Senhor. O fundamento de nossa fé tem duas grandes bases então: Deus e a sua atividade salvadora. Ele vai além de sua obrigação. Eu posso ter esperança, pois no meio da embaçada visão das calamidades, tenho a certeza que o Senhor está atento a tudo isto.
A partir do verso 40, depois de uma auto avaliação (Examinemos os nossos caminhos), o profeta para um momento de confissão. Fala com Deus com uma nova postura, com mais familiaridade, utiliza a segunda pessoa do singular.
Bom é ter esperança e aguardar tranqüilo a salvação do Senhor (v. 26).

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O PECADO ENGANA E DESTRÓI


Apesar dos subtítulos escritos na bíblia não fazerem parte do texto inspirado, ninguém pode negar que muitos deles descrevem precisamente o conteúdo da porção bíblica correspondente.

Este é o caso da porção do capítulo 17:1-10 do livro de Jeremias. O profeta relata no primeiro verso, até que ponto chegou seu povo. O pecado estava tão arraigado, e como se isto não bastasse, seu engano estava tão escondido a seus olhos, que corriam o risco de não reconhecer a sua transgressão. E ai morava o perigo, já que, “o pecado engana e destrói”.

Jeremias deixa isto bem claro nos versos 5 e 7:

“...maldito o homem que confia no homem...”

“Bendito o homem que confia no Senhor...”

Existe um pensamento que diz que o maior inimigo é aquele que mora dentro dos nossos muros. E este é o caso de nosso coração. Quando Jeremias falava de como devemos desconfiar do homem, pensamos em várias pessoas que nos traíram a confiança. Porém, tenho para mim, que Jeremias estava pensando em uma pessoa em especial, ele mesmo.

Creio nisto porque logo em seguida (verso 9) ele relata “Enganoso é o coração...”. Não pense que o profeta estava pensando em todos os corações do mundo e excluindo o dele. Está afirmando sim que seu coração é enganoso. Uma tradução literal do texto seria: pegar pelo calcanhar. Esta é uma expressão idiomática que indica ser pego de surpresa. Quando menos se espera, vindo de uma direção que não se imaginava, somos pegos de surpresa. E como se isto não bastasse, temos um ferimento em nosso coração que é incurável (desesperadamente corrupto). Agora, o que mais espanta no texto, é a ultima parte do verso que diz “...quem o conhecerá?”. Que revelação incrível, já que o que mais acreditamos é que conhecemos o nosso coração. Isso é assustador! Antes de estudar Jeremias achava que poderia analisar meu coração de tal maneira, que saberia explicar tranquilamente minhas atitudes: erros e acertos. Mas o profeta não nos deixa nesta grande interrogação. No verso seguinte (verso 10), ele explica todo o trabalho de Deus em buscar entender cada um, com seus problemas, dificuldades, o profeta revela que: “Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamento”. Ele tem uma noção verdadeira de quem eu sou. Porque tomo determinadas atitudes. Minhas reações diante dos problemas. O Senhor conhece porque está empenhado em nos entender, já que, ele vai nos julgar. O restante do verso diz que este julgamento vai se dar “...segundo os frutos das suas ações”. a princípio isto pode nos ajudar já que eu poderia fazer um balanço de minhas atitudes diárias, procurando fazer mais coisas boas que coisas ruins.

Estaríamos seguros nesta situação se a palavra utilizada no idioma original para ações não dissesse respeito a nossas más ações. Que difícil nossa situação!

Porém quando voltamos ao verso 8 descobrimos algo fantástico: “Porque ele é como a árvore plantada junto as águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto.”

Água na bíblia pode ser uma ilustração da influência do Espírito Santo (João 7:38 e 39), sendo assim, se pensarmos no verso entendendo que onde lemos sobre a água ou o rio, podemos substituir pela atuação do Espírito Santo, entendemos que se plantarmos a arvora de nossa vida junto ao rio do Espirito Santo, tão perto que nossas raízes possam alcançar este rio, sua influência vivificadora poderá nos ajudar, mesmo em meio ao período de sequidão (problemas e ansiedades). As folhas estarão verdes e muito mais que isto, nossa árvore dará fruto.

Plante sua árvore junto ao ribeiro do Espírito, deixe que suas raízes recebem vida. E isto só vai acontecer se colocarmos nossa confiança no objeto correto. Bendito o homem que confia em Deus.

MENOS CERIMÔNIA E MAIS PRÁTICA


Miquéias foi um profeta judeu que desenvolveu seu ministério no período dos reis Jotão, Acaz e Ezequias. Diferente de Isaías, não era de uma família nobre. Foi contemporâneo dos profetas: Izaías e Ozéias. Seu livro se encontra na seção da Bíblia Hebraica denominada “Profetas Menores”. No capítulo 6:8 o profeta nos brinda com uma importante lição sobre relacionamentos. O texto diz:

Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e Andes humildemente com o teu Deus.

Podemos observar dois aspectos relevantes no texto.

1. “Ele te declarou...”: Miquéias não estava por apresentar algo novo, uma nova luz, ou algo parecido. Desde que o casal no Édem desobedeceu a Deus, uma nova ordem foi criada na relação entre eles. Passou a existir uma separação entre Deus e o homem, que resultou em uma “desconfiguração” dos seres humano. O homem deixou de ter a imagem do criador. Porém, logo depois da queda, Deus revelou a Adão o plano preparado para lidar com a situação. Deus iria restaurar esta imagem, e com isso, trazer suas criaturas de volta a seus braços. Esta esperança foi transmitida por Adão entre as gerações seguintes. Isso foi confirmado pelo Espírito Santo (Romanos 8:16), e foi ampliado pela revelação dos profetas durante anos. O problema é que o povo foi com os anos perdendo o verdadeiro sentido desta revelação. Para os Hebreus que estavam sendo retirados do Egito, influenciados pela cultura deste pais dominante, Deus faz uma aliança, ordenando (Gálatas 3:19) os princípios que eles deveriam seguir para que este processo de restauração fosse seguindo, e estes princípios podem ser vistos no decálogo (Êxodo 20).

2. O problema que surge então, é que para obedecer estes princípios, o povo começa a criar regras tão abrangentes que tornou difícil a guarda destes princípios. O sábado é um exemplo disto. Foram criados 613 mandamentos para uma correta observância do dia de repouso. Destes 613, 365 eram proibições e 248 sugestões de coisas que poderiam fazer. Diante deste emaranhado de temas, Davi, tentando sintetizar a questão, resume esta quantidade em apenas 11 (Salmo 15). O mesmo fez Isaías (33:15) resumindo para 6. Porém, segundo os próprios judeus, quem consegue realizar com êxito esta proesa é o profeta Miquéias. E isto ele consegue no verso que estudamos.

Uma rápido estudo das palavras importantes do verso pode nos ajudar a entender os conceitos do profeta. O profeta entende que Deus já tinha revelado ao homem o que é “BOM” (Heb. TÔB). E esta palavra indica que o profeta estava pensando no sentido mais amplo da palavra.

a. A palavra estava relacionada com o bem prático, econômico ou material;

b. Também indicava bondade abstrata como beleza e prazer;

c. Valor qualitativo, que era usado quando se pensava na pureza do ouro, dos óleos aromáticos da mais alta qualidade e da nobreza do caráter;

d. Da bondade moral;

e. Do bem filosófico.

O bem que o profeta pensava abrangia todos os aspectos da vida, ou seja, Deus revelou ao homem o que ele precisava fazer, porém o homem, se cercou de tantas cerimônias, tradições e costumes, e tudo isto se misturou com a revelação divina de tal maneira, que os homens correm o perigo de achar que estas cerimônias, e simplesmente elas, são responsáveis pela restauração da imagem de Deus no homem. Estas cerimônias não tem valor sem a verdadeira piedade. Práticas externas não podem substituir uma santificação alcançada no contato com o Espírito Santo.

O profeta continua apresentando as formas de seguirmos de acordo com as revelações de Deus, de uma forma efetiva.

PRATICANDO A JUSTIÇA (Heb. MISHPAT): manter a honestidade em todas as suas ações. praticar seria igual a ordenar a vida de acordo com a vontade de Deus.

AMAR A MISERICÓRDIA (Heb. HESED): esta é a palavra mais importante quando pensamos em amor. Uma disposição mental em fazer o bem acompanhada de ações. O termo aparece 250 vezes na Bíblia Hebraica.

ANDES HUMILDEMENTE (Heb.TSANA): desenvolver um correto relacionamento com o Senhor, sabendo que Ele sabe o que é o melhor para cada um. Ele está no controle.

O profeta vai bem fundo no ponto que seria o verdadeiro sentido da religião: desenvolver uma íntima relação com Deus. As cerimônias e tradições só contribuem, se elas desenvolverem este relacionamento. O profeta está totalmente ciente de seu papel como revelador da vontade de Deus. As duas tábuas dos mandamentos são a prova da contextualização da mensagem. Praticar a justiça e amar a misericórdia, são fatores que irão influenciar diretamente os relacionamentos entre o homem e seu semelhante (como diz a segunda tábua da lei). Já o terceiro ponto, andar humildemente diante de Deus tem relação com a primeira tábua (com os 4 primeiros mandamentos), e podemos destacar o verbo andar que dá uma idéia que isto é uma questão diária e constante. Ande e continue andando.

Deus quer restaurar a sua criação, dia após dia, santificar seus filhos os preparando para viver com Ele. Isso tem a ver com um processo interno de transformação. Contemplação e prática. É um desafio para nós, permitirmos este trabalho. Isto tem a ver com disciplina e consagração.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

QUANDO SECA O RIO



O momento de Israel era delicado. A apostasia levou a nação a uma posição de fraqueza espiritual. Deus procurava um coração indignado com respeito a esta situação, uma pessoa de oração que pudesse lutar por uma reforma espiritual no meio do povo de Deus. E este homem existia, sempre existem. Deus, segundo as palavras de Jesus em João 4, está buscando seus fiéis, e os busca para realizar uma obra que nenhum outro poderia realizar. Nesta missão, Elias foi indicado para defender a bandeira da verdade. Nas montanhas de Gileade, ao oriente do Jordão, o profeta vivia contemplando esta situação. Um homem de oração que seria chamado para deter o crescimento da apostasia em Israel.

A idolatria havia separado a nação de sua fonte de poder. As forças que regiam a natureza, segundo se acreditava, eram responsáveis pelo controle da chuva, do vento, os frutos eram resultado do poder criador do sol. As bençãos temporais serviam para enganar o coração enfraquecido do povo. A mensagem que o profeta recebeu do Senhor foi então incrível:

“Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra.“ (1 Reis 17:1)

Antes de chegar a Samaria, Elias havia passado por lindos vales, por rios que nunca haviam secado, ele poderia ter perguntado: Como isto tudo poderá secar? Mas não havia espaço para a incredulidade em sua missão. Elias estava sendo preparado para exercer um ministério de fé. O que se via, a realidade, poderia ser mudada num instante pela vontade daquele que criou o universo. Quando Elias dizia “...segundo a minha palavra (Heb. Dabar)”, ele dizia porque sua palavra, era sustentada por aquele que não pode mentir. Do mesmo modo que pela lógica humana, era difícil que os verdes vales de Samaria e os seus rios secassem, pela lógica humana, era difícil acreditar que pela palavra de Elias isso tudo iria acontecer.

Depois deste primeiro encontro com Acabe, Deus enviou uma mensagem ao profeta para se retirar no deserto. A mensagem deveria se cumprir, para que os adoradores de Baal fossem abertamente humilhados. O falso deus, que cuidava da natureza e de sua terra, não podia nada diante do SENHOR. Este retiro se daria próximo ao ribeiro de Querite. O interessante do nome desta torrente, é que sua tradução pode ser:

Cortar fora (cortar para encaixar)

Derrubar ídolos (cortando a base)

Fazer (aliança)

Eu creio que este nome significava muito para o ministério do profeta e sua preparação para enfrentar ao rei. No deserto, Elias aprenderia ainda mais, sobre a importância de confiar na palavra de Deus. Seria cortado, aparado, e esta é uma experiência dolorosa. Confiar nas promessas do Senhor, acreditar em sua providência. O nome do ribeiro também apontava para sua missão, ao derrubar os ídolos de Israel (cortando suas bases), o nome do Senhor seria mais uma vez exaltado. A base das crenças dos pagãos, ou seja, o controle de seus deuses sobre a natureza, estava sendo questionada pela palavra do profeta de Deus. Por último, Deus estaria fazendo uma aliança com seu profeta, que iria mais tarde, ser retirado desta terra para representar os que não experimentaram a morte, levado num carro de fogo.

Porém no verso 7, acontece algo que não se esperava (que o homem não espera). A torrente secou. Deus o havia enviado para aquele local, ele aceitou a ordem, fez de acordo com a palavra, agora estava sofrendo as conseqüências da seca profetizada por sua boca.

Percebe a dependência de Deus? Percebe que Elias estava à disposição de seu Senhor? O que acontece quando o ribeiro seca? Você duvida? É difícil acreditar quando não conseguimos entender os propósitos do Senhor. O ribeiro de Querite poderia ser um lugar de conforto para Elias. Seus inimigos jamais o encontrariam ali. O profeta, porém, não havia concluído sua obra. Elias escutou a ordem (verso 8) sem titubear e foi para Fenícia. A presença de Elias em Sarepta iria transformar a vida de uma viúva e seu filho. Pode você acreditar que os propósitos de Deus estão acima de nossa vontade? Que se o ribeiro secar, Deus nos proporciona sempre uma nova oportunidade? O incrível que Sarepta fazia parte do território da Fenícia (terra natal de Jezabel). E o profeta obedece à ordem de seu Deus e segue para ser uma benção na terra de sua maior inimiga. Querite foi o ribeiro onde Elias aprendeu a aceitar a vontade de Deus.

E você? Estaria passando pela mesma experiência? O ribeiro secou? Deus está te chamando para uma nova terra, um novo desafio? Ouça o chamado do Senhor e seja uma benção onde ela te chamar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

MONTE EBAL E GERIZIM


No início da campanha militar organizada para de tomar a terra de Canaã, encontramos um parêntesis curioso. O texto se encontra no capítulo 8 do livro de Josué nos versos 30-35. Depois de destruir Jericó e Ai, acampados em Gilgal, Deus faz um pedido ímpar: eles deveriam se dirigir ao centro do país, mas precisamente aos montes Gerizim e Ebal, para fazer uma renovação da aliança com o SENHOR.

O curioso do pedido é que deveriam ir desarmados para o local. Desprovidos das armas, deveriam entrar no meio do território inimigo confiantes na proteção do SENHOR. Deveriam dirigir-se ao Monte Ebal que ficava a 30 km de Ai (tão perto da cidade destruída!). Imagino que estavam ansiosos por se estabelecerem no território prometido, que esta longa jornada seria uma grande provação. Teria você a confiança de entregar sua vida sob os cuidados de Deus?

Quando chegaram ao local indicado, se colocaram no meio de um vale que ficava entre os dois montes. O vale possuía uma largura de pouco mais de meio quilômetro. Era como um anfiteatro que abrigaria perfeitamente o grupo para realização de importante cerimônia.

Josué separa o grupo em duas partes, tendo ao centro a Arca da Aliança. O grupo que estava do lado do monte Gerizim (sul), ao serem lidas as Bençãos da Aliança, deveria responder com um sonoro amém. O mesmo aconteceria com o grupo que ficou do lado do Ebal (norte), porém, deveriam responder quando fossem pronunciadas as maldições. Antes de começar a cerimônia (v. 30), Josué ergue um altar no lado do Ebal. Surge então a curiosidade: porque deste lado? Seria o motivo o fato deste monte ter sido o primeiro lugar onde Abraão ergueu um altar na terra de Canaã? Seria uma boa resposta, porém, não te causa felicidade o fato de se erguer um altar, justo no monte onde seriam lidas as maldições?

No monte das maldições ergue-se então um altar de perdão. No meio dos erros, podemos estar certos de que existe uma oportunidade de perdão. Você já duvidou em algum momento de estar sob os cuidados de Deus por ter caminhado para longe de Sua vontade? Por ter feito algo que Ele te pediu que não fizesse? Por ter recusado insistentemente em obedecer? Saiba que no monte da desobediência existe um altar de perdão. Que a maldição pode ser o resultado de uma escolha errada, mas no meio dos erros, existe uma mão estendida. Uma oferta de perdão. Uma nova oportunidade.

Se você que está lendo esta meditação, se sente um(a) estrangeiro (a) no meio do povo de Deus por não freqüentar uma igreja, saiba que existe um lugar especial para você debaixo da proteção infinita de Deus. No verso 35 descobrimos esta verdade. Todos deveriam conhecer a vontade de Deus para as suas vidas (descrita na aliança). Inclusive os estrangeiros que estavam por ali. Ao destruir a cidade de Jericó, uma família se uniu ao povo na terra de Canaã. Era Raabe. O livro de Josué insiste em dizer que era uma prostituta, e isso não acontece por preconceito, mas para que seja exaltado o perdão, a misericórdia de Deus, que poderia alcançar a qualquer pessoa. Raabe e sua família tinham direito de participar da aliança com Deus, e não somente isto, por meio desta família, suscitou Deus um dos maiores personagens do Antigo Testamento: DAVI. Mas as bençãos não terminam por aí, Raabe vai ser lembrada mais tarde, não pelos seus erros, mas por pertencer a linhagem do próprio Jesus. Além de perdoar, Deus oferece uma nova oportunidade.

Não importa o que você haja feito, os caminhos que passou, não importa se você cometeu um erro que o envergonha muito, não importa se você magoou pessoas queridas. Existe um lugar para você junto do povo de Deus! Uma oportunidade de salvação e perdão. Estaria disposto a aceitar esta oportunidade?

Poema da primavera



A chegada da primavera é o tema abordado por Salomão a partir do verso 10 do capítulo 2 de Cantares. A primavera marcava em primeiro lugar o fim do inverno, um período difícil, para os homens e a natureza. Esta mudança estava passando despercebida pela esposa. A chegada da primavera não poderia ser ofuscada pelos problemas do inverno, o esposo diz: “levanta-te”. Ela estava prostrada, o inverno pode trazer dúvidas, desânimo, depressão. O problema do inverno não é o frio, mas a falta de luz. Outro convite do esposo seria para que ela se movimentasse, ele diz: “Vem”. É um convite para sair da paralisia, é chegada à primavera!

O esposo estava próximo, atento ao que estava passando a esposa. Embora o inverno e suas dificuldades tornassem as coisas mais difíceis, ela não poderia duvidar que o esposo estivesse ali, “é tempo de cantarem as aves”, outra possível tradução seria: é tempo da poda. Tempo de cuidar, tempo de estar atento, tempo de buscar, é primavera e o convite é para movimento.

A tórtola (rola) anunciava com seu canto as boas novas. Esta ave migratória entoava seu cântico ao princípio da estação das flores. Outra indicação da mudança eram os figos. Os primeiros já surgiam. Sua doçura era a prova de que novos tempos chegaram. Estes já eram motivos para que a esposa reagisse. Porém o marido insiste mais uma vez. Agora ele utiliza a pomba como símbolo. A pomba das rochas, ave que escolhia lugares distantes para descansar. Escondida entre as rochas.

Este fundo poético pode ser o bastante para o nosso deleite nos versos de cantares. Porém o livro é mais do que isso. Ele nos remete ao amor do esposo da igreja (Cristo). A aplicação comum que se faz do livro, é o relacionamento da igreja com Cristo. Quando fazemos esta aplicação, descobrimos muito mais cores e flores nos versos.

O inverno é o tempo da falta de luminosidade. Outro dia li um pensamento de Einstein que quando foi perguntado para dar uma definição sobre a luz, sua resposta foi surpreendente: “a luz é a sombra de Deus”. Espantou-me a profundidade do tema abordado pelo importante cientista. Ele entende que até mesmo Sua sombra, a sombra de Deus, estaria repleta de luminosidade. Terminou o inverno, é tempo de ver a luz. O desespero da vida sem Deus precisa ter fim. É o convite do Esposo, passar para um novo sentido de relacionamento, a luz da presença de Deus nos espera. E “levanta-te” é o convite!

O Esposo insiste em ressaltar a beleza da esposa, essa é uma das qualidades que mais aprecio no ministério de Cristo. Sua capacidade de ver o potencial das pessoas. Ele olhava para Maria Madalena e conseguia ver tudo o que ela poderia se tornar, se seu coração estivesse aberto. Foi assim com o jovem rico. Cristo o amou e fez o mesmo convite: “vem”. É um símbolo de uma passagem, chega de inverno! É tempo da primavera.

Na parte religiosa do povo de Israel, havia um significado importante para o período da primavera. A festa mais importante para eles acontecia no início do período: a Páscoa. Tempo de perdão. Se no inverno o tempo estava marcado pela falta da luz, falta de relacionamento, falta de contato, a primavera trazia a esperança do perdão. A renovação da natureza era uma boa metáfora para a renovação da vida da esposa de Cristo. A misericórdia estava à disposição, a graça estava a seu alcance.

Dois símbolos surgem em questão que têm relação direta com a páscoa.

a) A Tórtola (rola)

b) A Pomba das Rochas

Ambos os animais estavam relacionados com o serviço de sacrifício. Levíticos 1:14 nos relata: “Se a sua oferta ao SENHOR for holocausto de aves, trará sua oferta de rolas ou de pombinhos.” As ofertas queimadas ao senhor eram voluntárias (assim como aceitar o chamado do Esposo), e representavam uma consagração total do indivíduo a Deus. Estavam envolvidos três símbolos importantes nesses sacrifícios: fogo (purificação), água (batismo) e sangue (aceitação do substituto). As duas aves podem ensinar mensagens diferentes para nós.

Mensagem de esperança (tórtola): esta ave migratória trazia em seu canto o anúncio do início da primavera. Tempo de perdão, tempo de luz. O esposo chama para uma vida melhor. A esposa precisa levantar-se.

Mensagem de modéstia (pomba): a pomba e sua reclusão nos ensinam da modéstia, humildade e simplicidade que devem ser a experiência da esposa diante do esposo.

As duas aves serviam como sacrifício para os pobres. Era um sinal de que Deus estava preocupado com o coração em primeiro lugar. Os grandes sacrifícios e os mais simples estavam, sobretudo, na mesma condição. O sangue de animais, sua morte, não resolvia o problema dos pecados, mas, apontavam para quem poderia resolver.

A Páscoa apontava para um Deus que “passava por alto” (significado do nome páscoa) pela porta dos fiéis no Egito, salvando assim os primogênitos do Seu povo. O chamado do esposo celestial, em primeiro lugar, aponta para um Deus disposto a perdoar. A oferecer uma nova oportunidade (primavera). O texto apresenta o convite para apreciar a beleza de um novo tempo. Quem sabe este convite pode estar sendo oferecido para cada um de nós.

Levanta-te! Vem!