
O livro de Jeremias, particularmente no capítulo 31 (versos 31 em diante), nos traz um bom entendimento do tema tratado por Jesus na "santa ceia". Esta explicação abre nossas mentes para entendermos sobre a "abolição da lei na cruz" e temas parecidos.
Jeremias fala sobre a quebra do pacto "cortado/feito" com o seu povo logo após sua saída do Egito. O esforço dos israelitas em obedecer o pacto por sua própria força teria sido inútil (31:32). Desta forma, o profeta apresenta uma "nova aliança" que iria substituir a aliança feita no sinai (31:31).
A pergunta que vem a mente em seguida seria: Mas como Deus poderia impedir a quebra desta nova aliança? A resposta é simples, e a encontramos numa combinação entre esta perícope e o texto de Ezequiel 36:26 e 27:
"26 E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
27 E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis."
A nova aliança seria cumprida pela operação de Deus no ser humano por meio de seu Espírito Santo. Mas todas as alianças eram feitas por meio de acordo entre duas partes, como Deus iria fazer com o homem? A resposta é que Ele já fez. Encarnando, Jesus pode tomar nosso lugar diante da nova aliança. Ele é nosso Sacerdote (intercessor diante de Deus) e nossa oferta. A desobediência humana foi trocada pela obediência de Cristo.
Agora quanto a abolição da lei? A "nova aliança" apresentada por Cristo no novo testamento deve ser entendida de acordo com o texto de Jeremias, já que o profeta a prevê. E Jeremias não fala de abolição, mas, de aplicação pessoal da mesma por meio do Espírito, como vimos em Ezequiel. A lei de Deus é o retrato fiel de seu caráter, uma fotografia de seus princípios. Isto não pode mudar. Vemos textos como os de Gênesis 26:5 que citam a guarda de mandamentos antes do sinai. Gálatas 3:19 explica a função da lei do sinai de apontar o descendente (Cristo). O que surge então, seria uma lei que seria nova no sentido temporal, mas quanto ao momento de sua ratificação. Abraão foi salvo pela fé nesta ratificação (ver Romanos 4).
Podemos aprofundar o estudo e lembrar que Lúcifer foi expulso do céu por pecar contra Deus. O pecado só é levado em conta quando existe lei (Romanos 5:13). Houve claramente uma transgressão da lei no céu. A nova aliança vista deste ponto deveria ser entendida como mais antiga que a antiga aliança. Ela foi criada antes do sinai. Os patriarcas antes de Moisés conheciam a lei de Deus.
A lei não pode ser anulada pela graça, já que, a graça foi dada por causa da lei. Por nossa insuficiência em guardar seus requisitos. Se a lei pudesse ser abolida por Deus, a morte de Cristo perderia seu valor, já que, Sua morte se deu por causa desta impossibilidade (abolir a lei). O novo testamento fala sim de uma abolição. A abolição do pacto feito no sinai. Este pacto tinha tempo determinado. Agora, o que Deus requer de seus filhos, é muito maior que o pacto do sinai.
Podemos dizer como Paulo em romanos:
Romanos 7
"24 Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?
25 Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado."
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